terça-feira, 19 de junho de 2012


Entrevista: Eduardo Garcia Campos, especialista em comunicação empresarial


Fonte:


http://www.exclusivo.com.br/Noticias/61781/Entrevista:-Eduardo-Garcia-Campos,-especialista-em-comunica%C3%A7%C3%A3o-empresarial.eol



Publicada em 18/6/2012 - Grazziela Dobler / Exclusivo On Line

Fotolia.com

Entenda a importância de saber falar bem em público e a influência de um discurso


• Entrevista: Enrico Cietta, especialista em fast-fashion

• Entrevista: Abdala Jamil Abdala, presidente da Francal

• Luciana Gimenez é capa da Lançamentos

• Entrevista: Frederico Pletsch, promotor do SICC

• Entrevista: Luciana Gimenez, apresentadora do Super Pop

Eduardo Garcia Campos é Advogado, Professor, Palestrante e Consultor Jurídico, Perito Ambiental, membro da Comissão de Direito Ambiental da 32ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil, Pós Graduado em Direito Empresarial e dos Negócios, Especialista em Direito do Trabalho e Direito Processual do Trabalho, Especialista em Direto Administrativo e Constitucional, Especialista em Direito do Entretenimento pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Doutorando em Ciências Jurídicas pela Pontifícia Universidad Católica (PUC) Santa Maria de Los Buenos Aires, Puerto Madero - Argentina.

Exclusivo On Line - Falar em público, atualmente, não é mais uma opção, é praticamente uma obrigação. Como descreves a importância de ter uma boa postura e articulação diante dos funcionários?

Eduardo Garcia Campos - Esse é um ponto seguramente muito importante, e, que vem sendo objeto de diversas pesquisas, cujo objetivo é alcançar resultados positivos através da otimização na comunicação corporativa. Albert Mehrabian (um dos pioneiros em pesquisas sobre linguagem corporal) chegou a seguinte conclusão em seus estudos:

- Palavra – 7%

- Tom de Voz – 38%

- Postura corporal (fisiologia) – 55%

Na mesma linha de raciocínio, Birdswhistel afirma que acima de 65% da comunicação é realizada de maneira não verbal e, que menos de 35% e passada cara a cara. Nesse processo de comunicação importante destacar que outros estudos mostram que entre 60 e 80% das pessoas realizam seu juízo de valor em reação ao seu interlocutor nos primeiros quatro minutos de conversa, bem como nas negociações as decisões são tomadas nesse mesmo sentido.

A conclusão que se chega em relação a essas pesquisas, para mim é simples, ou seja, as pessoas avaliam as outras não por aquilo que elas são, e sim pelo que elas aparentam ser. É uma realidade que o orador, palestrante, vendedor etc. precisa se adaptar, embora muitos não concordem. Não basta você saber sobre determinado assunto, é preciso que as pessoas saibam que você sabe, e, para que isso ocorra você precisa saber passar aquilo que você conhece sob pena da ineficácia ou te mesmo o descrédito em suas apresentações.

Clara é a realidade através de diversos estudos que o homem moderno acredita mais nas testemunhas do que nos mestres, ou seja, o ser humano da mais valor ao que vê. Diante desse quadro, sem dúvida que saber utilizar os mecanismos, as técnicas de comunicação é fator determinante no sucesso de uma apresentação, na condução de uma reunião, no treinamento de uma equipe etc. por isso uma postura corporal adequada, uma impostação vocal bem realizada é fator determinante para o sucesso de uma reunião, um treinamento junto aos colaboradores de uma corporação seja ela de qual seguimento for.

Outro ponto de relevância que podemos destacar são os estudos realizados por Daniel Golemam no livro Inteligência emocional, onde o autor atribui a inteligência emocional o fiel da balança para as capacidades do ser humano, onde se desenvolve a partir do autoconhecimento. Golemam entende que a inteligência acadêmica que é objeto de testes do coeficiente intelectual, não oferece muito preparo para o dia a dia, ao contrário da inteligência emocional. Entende o autor que essa inteligência está acima das outras, organizando nossas experiências e o conhecimento intelectual. A inteligência emocional é de fundamental preponderância para nosso sucesso, desde que seja usada de maneira racional. Nessa inteligência interpessoal, todas as pessoas têm a capacidade de desenvolver essas habilidades, basta força vontade, criar uma meta, um propósito, uma motivação. Há pessoas que criam grandes patrimônios, alcançam grandes cargos com sua capacidade comunicativa.

Exclusivo - Como o comportamento no momento do discurso pode influenciar e refletir no comportamento dos ouvintes?

Campos - O homem moderno acredita mais nas testemunhas do que nos mestres, logo aquilo que é dito acompanhado dos resultados positivos, influencia sobremaneira o comportamento dos liderados. Até pouco tempo se escutava muito nas empresas uma frase: “quem não sabe fazer vira chefe”, hoje essa realidade não funciona, pois o líder é o primeiro a dar o exemplo de como se alcançar resultados positivos, e, esses resultados não terão as expectativas alcançadas se o líder/gestor não souber passar de forma clara e objetiva as metas a serem alcançadas.


Outro ponto que ganha extrema relevância e que não deve ser esquecido é que somente saber sobre um determinado assunto ano significa que esse conhecimento poder ser transformado em resultados positivos se o detentor do conhecimento não souber transmiti-lo aos seus interlocutores. Querer que uma equipe alcance os resultados esperados, essa equipe deve ser treinada e bem treinada e, treinar uma equipe passa primeiro pela capacidade de se comunicar, transmitir informações precisas, atualizadas e, acima de tudo o líder precisa dar o exemplo, e, exemplos a serem seguidos vêm através dos resultados positivos, pois esses persuadem os liderados e com certeza o comportamento dos mesmos tende a se amoldarem aos objetivos da corporação a partir de exemplos bem sucedidos.

Exclusivo - Como forma de incentivar e motivar os ouvintes, o que pode ser destacado?

Campos - Esse é um ponto muito importante, pois como afirmei anteriormente não basta você simplesmente saber sobre um assunto. Além de saber você precisa saber passar seu conhecimento adiante. Muitas vezes seus interlocutores até percebem que você domina um determinado assunto, mas esses mesmos interlocutores não vibram com sua apresentação e consequentemente perdem a motivação, não pelo assunto, mas pela forma a qual o tema é abordado. A percepção é muito importante para quem deseja ser um bom comunicador, orador, expositor, vendedor, palestrante etc. Ocorre que a percepção varia de pessoa para pessoa, ou seja, a maneira como uma pessoa encara uma proposta ou situação pode ser diferente da minha. Podemos afirmar que a percepção do ouvinte é fruto de seu atual comportamento mais experiências anteriores.

O que o líder deve entender que desde nossa infância começa a nossa percepção, ela será formada de acordo com o ambiente em que vivemos, diante disso formamos nossos juízos de valores, onde o que para uma pessoa é correto para outra não. Para motivar os ouvintes o líder precisa conhecer as pessoas que compõem sua equipe, saber para quem irá falar, como é a percepção das pessoas naquele ambiente, precisa sintonizar a sua fala, seu vocabulário, sua fisiologia de acordo com a percepção daquelas pessoas. Isso é imprescindível para o sucesso de sua apresentação. Pois conforme já falamos, os estudos comprovam que no processo de comunicação a palavra apenas representa 7%, o tom de voz 38% e fisiologia 55%,.

A grande maioria das dos palestrantes, apresentadores não observam estas regras, ou melhor, não observaram antes de fazer uma apresentação, neste caso o esperado não ocorre, e elas se culpam achando que não têm o dom de falar em público, ou julgam de forma errada o interesse de seus interlocutores, sua equipe etc. O entendimento entre as pessoas será regulado conforme a percepção de cada um, a maneira como atuamos está relacionada a nossa percepção, é o que muitos sociólogos chamam de visão de mundo. O apresentador de um tema precisa entender que no seu grupo há a percepção seletiva, onde as pessoas vêem aquilo que acreditam ser melhor para elas, esta é a tendência, com isso ignoram aquilo que possa ser perturbador, ou seja, os pontos de vulnerabilidades, pois em tudo que percebemos, estamos nós mesmos.


DICAS

Escute seu interlocutor Mostre interesse pelo que ele traz consigo; Observe sua maneira de se expressar, o tom de sua voz, sua fisionomia; Informe com segurança; Demonstre credibilidade, confiança; Faça-o ver, ouvir, experimentar novas alternativas, possibilidades; Ajude-o a tomar decisão.


Conforme a percepção de seu interlocutor, ele tomará uma decisão a respeito de sua proposta. Aí que está grande parte do sucesso de um planejamento. Uma informação muito importante é que cada indivíduo tem suas peculiaridades, sua maneira de enxergar encarar os fatos a ele exposto, necessário fazermos uma digressão até a filosofia que afirma ser o homem produto do meio de onde vive. Não quero aqui adentrar a veracidade da afirmativa, mas, de fato, cada um tem seu ponto de vista. Quando você tiver que se preparar para fazer uma apresentação em público, deverás inevitavelmente buscar informações sobre a ética e a moral da assembléia que irá ter ouvir.

Para não adentrarmos muito a definição de ética e moral, pois não é o nosso caso, podemos definir ética como sendo uma casa (Ethos – ética, que vem do grego = a morada humana), onde cada pessoa tem a sua, ou seja, constrói sua casa (idéia) sob seu ponto de vista, e a moral como se fosse a maneira com que cada uma arrumaria aquela casa, (Moral – vem do latim mos, mores = os costumes e as tradições). O sucesso de sua apresentação depende totalmente da pesquisa que você terá que fazer para se colocar diante de seus interlocutores, pois cada pessoa tem sua ética e sua moral, um grupo de pessoas também, diante dessa realidade, saber como pensa seu público é fundamental para que você possa se comunicar com ele e, assim alcançar o sucesso em sua proposta.



ATENÇÃO! Confira amanhã o restante da entrevista: dicas do que fazer para um bom discurso.



Contato de Eduardo Garcia Campos: eduardo.garcia@hpsmaster.com.br



Nenhum comentário:

Postar um comentário